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Netflix e Escrita: 8 séries que farão de você um escritor melhor

06 de outubro de 2021

Netflix e Escrita: 8 séries que farão de você um escritor melhor

Trazemos hoje uma excelente forma de melhorar sua arte de escrever sem a necessidade de ler uma palavra ou pular um anúncio no YouTube. Provavelmente você já até está envolto nesse processo sem nem saber.

Fala aí? Apostamos que você tem pilhas de livros sobre dicas de escrita que ainda nem começou a ler, que baixou o e-book na internet, ou ainda salvou diversas dicas e páginas sobre redação em seu navegador ou aplicativos para ler depois. Embora seja fundamental realmente adotar uma mentalidade de aprendizado quando se trata de se aperfeiçoar em sua profissão de escritor, não se esqueça de que você pode mergulhar em uma boa fonte de conselhos sobre redação que certamente  já está disponível em sua TV, laptop, tablet e telefone: séries de televisão.

Veja bem… ao contrário dos filmes de longa-metragem, cujo foco é  acelerar o desenvolvimento e a luta dos personagens, as séries demandam certo controle, isto é, vai-se gradualmente aumentando o calor, semeando temas recorrentes, aplicando mudanças sutis e provocações. Seu trabalho é introduzir – e comercializar – um conceito e, em seguida, desenvolvê-lo em um período pré-estabelecido, mantendo o consumidor/espectador  motivado e investido.

Assim como acontece no romance!!!

Então, vá em frente! Coloque seu 'chapéu de pensamento crítico' e acompanhe oito programas que vão te ensinar praticamente tudo o que você precisa saber sobre personagens, ritmo, desenvolvimento temático e muito mais! 
 
(Aviso: grandes spoilers à frente!)

Sobre começar uma história – Better Call Saul (É melhor chamar o Saul)



Os escritores de suspense estarão cientes da necessidade de começar uma história com um estrondo: uma sequência de ação pré-créditos no estilo de um filme de Bond, ou um prólogo intenso que serve como ponto de entrada para chamar a atenção do leitor antes de chegar ao inicial e geralmente mais calmo. Tem-se primeiro uma agitação da narrativa. Better Call Saul é ainda mais ousado.

A sequência de abertura da Série 1 – mostra um flash-forward monocromático com o personagem, que os fãs de Breaking Bad reconhecem como o advogado Saul Goodman, trabalhando duro em uma filial da Cinnabon. Seu cabelo está ralo. Ele parece mole e oprimido enquanto prepara uma mistura melosa fecha tudo para ir para casa passar uma noite com o Sr. Jack Daniels. Após a rolagem dos créditos, voltamos aos dias pré-glória, com o nascente 'Saul' – Jimmy McGill – trabalhando na sala de correspondência de um eminente escritório de advocacia.

O produtor Vince Gilligan levanta uma questão poderosa: como tudo dá errado? Já que o show é um spin-off, e a maioria dos telespectadores estará ciente da eventual associação do personagem com poderosos cartéis de drogas, estamos sendo informados para nos prepararmos para uma história séria de queda em desgraça. (O que pode ser tão atraente quanto uma ascensão ao poder.)

Em sua escrita, existem várias técnicas para chamar a atenção do leitor desde a primeira página. Better Call Saul é um ótimo exemplo – especialmente para escritores de séries com personagens já estabelecidos – de como você pode apresentar um futuro 'spoiler' como uma espécie de piada distorcida e, em seguida, construir sua história em torno da narração da piada.

Onde assistir? Netflix

Sobre como construir suspense – The OA (OA)



Uma vez, conversando com um de nossos escritores, ele nos falou sobre uma ótima dica que se aplica à escrita: não dê todos os seus doces no início.

Você precisa envolver o seu leitor e fazer as coisas avançarem desde o início, mas se revelar muito, muito cedo, terá dificuldade em manter o interesse. Deixe espaço para trazer temas secundários, chamadas de retorno, revelações, reforços. Você precisa criar uma sensação de que mais será revelado e que vale a pena esperar.

Em The OA, os escritores abrem a história com o repentino reaparecimento de uma jovem adotiva, Prairie, que estava desaparecida há sete anos. Embora sua cegueira pareça ter sido curada, ela tem cicatrizes estranhas nas costas e insiste em se chamar de “OA”.

O show leva episódios de duas horas para examinar a família de Prairie e suas conexões locais. Em seguida, revela como uma experiência de quase morte quando criança a levou a ser capturada e estudada por um recluso obsessivo, empenhado em descobrir o segredo da imortalidade.

Essas duas horas são cruciais para construir a cultura do show e atrair o espectador para a história de Prairie. Começamos a terceira hora quase sobrecarregados de perguntas. Ela está falando a verdade? Por que voltou só agora? O que aconteceu com os outros assuntos do recluso? Como ela escapou? E, claro, tudo isso é verdade ou ela é apenas louca?

Resista ao impulso de oferecer muitas respostas na parte inicial de sua narrativa. Mistério, querer saber o que acontece a seguir, adivinhar com base em pequenas provocações e detalhes... É isso que mantém o leitor virando as páginas. Não se preocupe em 'perdê-los' por não dar o suficiente. Se você semear sua intriga inicial com cuidado e habilidade, o leitor permanecerá com você. É mais poderoso colocar uma pergunta em sua mente do que gratificá-los com uma resposta. Segure esses doces!

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Sobre a criação de personagens interessantes e identificáveis ​​– Fargo (Fargo)



Todos nós conhecemos aquela regra básica clássica da narrativa: faça-me gostar. Mas existe um mito de que os leitores precisam “gostar” de um personagem para se engajar no que acontece com eles. Tudo o que você realmente precisa fazer é tornar o personagem real, autêntico, verossímil, humanizado; alguém que parece, fala e age como uma pessoa identificável; alguém com dúvidas, fragilidades e impulsos humanos típicos; alguém que nem sempre toma a decisão “certa” e muitas vezes é forçado a improvisar. Se você conseguir acertar, seu leitor irá torcer pelo personagem e se envolver com sua história, porque reconhecerá pequenos pedaços de si mesmo.

O azarão é um conceito de personagem atemporal, pois todos os leitores que não nasceram em uma vida de privilégios (ou seja, a maioria deles) sentirão uma conexão pessoal instantânea com uma história de sobrevivência contra todas as probabilidades.

Na segunda série de Fargo, a esteticista Peggy e seu marido, o açougueiro Ed, tentam encobrir o assassinato do filho mais novo de uma família criminosa, que foi atropelado e não recebeu socorro. Os roteiristas retratam Peggy e Ed como um casal médio de operários, arrastado para um vórtice de guerras de gangues e lutas internas. Ambos são (relativos) inocentes intimidados, caçados e brutalizados, e quando sua revanche finalmente chega, é carregada de raiva justa que fará com que todos os espectadores os aplaudam.

Quando estiver planejando um texto, preste muita atenção nas jornadas de seus personagens (econômica, social, emocional, romântica), geralmente quanto mais longe o personagem tem de viajar, mais poderosa será a conexão com o leitor. Se você puder levar um personagem do mais baixo para o mais alto no decorrer de um romance, então você terá algo quase como uma fábula em seu apelo universal à empatia (Veja Rocky, Slumdog Millionaire e até  Scarface). Esta é também a razão pela qual Die Hard é um clássico de Natal tão alegre (um cara comum tentando se reconectar com sua ex-esposa se torna um herói da noite para o dia).

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Sobre o desenvolvimento do personagem – Breaking Bad, Sobrevivente Designado, The Girlfriend Experience



Somos todos trabalhos em andamento, sendo moldados e remodelados por nossas escolhas e experiências. Quando seu romance chegar ao fim, seus personagens se sentirão mais autênticos se tiverem se desenvolvido ou diminuído como resultado da história que você acabou de contar. A transformação pode ser radical ou sutil, mas o leitor não deve deixar os personagens como os encontrou.

Talvez eles comecem o romance acreditando em uma coisa e os eventos os desloquem para o outro extremo da escala: de autômato obediente a defensor do pensamento livre (Em 1984, Winston Smith move-se de uma extremidade da escala para a outra e depois volta novamente).

Talvez a história seja toda sobre eles quererem alguma coisa e ter dificuldade em consegui-la – e então, quando conseguem, a perspectiva já mudou tanto que percebem que não a querem mais (isso é o que acontece em Carros da Pixar. Relâmpago McQueen começa o filme pensando que a vida é ser o mais rápido, o melhor, mas no final, percebe que desacelerar e estar conectado com os amigos é mais importante).

O efeito da mudança de personagem pode ser tão satisfatório que é possível torná-lo o assunto de toda a história.

Um tema familiar de transformação geralmente é a mudança em direção a mais controle. Em Sobrevivente Designado, Tom Kirkman, de Kiefer Sutherland, passa do cargo impotente de Secretário de Habitação para o todo-poderoso POTUS. Em The Girlfriend Experience, Christine de Riley Keough se transforma de uma estagiária legal intimidada em uma formidável acompanhante de alta classe que, no extraordinário episódio final, torna-se o mestre das marionetes de um complexo jogo de poder.

Em Breaking Bad, o professor de química do colégio Walter White (Bryan Cranston) se transforma de um pai suburbano de calça comprida em seu apelido durão, 'Heisenberg' – um chefão da metanfetamina brutal e venal, atingindo seus inimigos com uma metralhadora controlada por controle remoto. Os escritores ainda encontraram tempo para construir um diálogo telegrafando a mudança de personagem de Breaking Bad, bem ali no Episódio 1, quando Walter está dando uma aula.

“A química é o estudo da mudança. É crescimento, decadência e transformação.”

O truque é administrar a mudança, para que pareça plausível e entremeada na trama da história. Torne-o lento, sutil e deliberado, e o que é crucial, próximo ao tema-chave ou à linha direta. A mudança de Walter White é satisfatória por causa da forma como sua moralidade é corroída por sua situação. No início, ele justifica seu comportamento como algo que deve fazer para sustentar sua família. Mas ao final admite abertamente que fez tudo porque “gostou”, e o personagem fez mais do que apenas uma mudança de comportamento e perspectiva; ele espelhou sua disciplina acadêmica e alquimizou de um estado para outro.

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Sobre a escolha de cenário – Linhagem de sangue



Pense no cenário geográfico de seu romance como um personagem, e logo perceberá que pode fazer muito mais do que apenas usar os locais como pano de fundo . Incorpore as sutilezas da geografia como uma influência direta no comportamento de seus personagens, ou como uma forma de atingirem seus objetivos bons ou ruins.

Bloodline explora os segredos obscuros de uma família disfuncional após se reunirem para uma celebração de aniversário em seu hotel à beira-mar, em Florida Keys. O cenário tropical idílico é um contraste ideal com as falhas interpessoais da família: um exterior natural feliz para compensar o interior psicológico corrosivo. O calor opressor reflete os ressentimentos da família, o local isolado aumenta a tensão e o horror da violência, além disso os pântanos locais são metáforas ideais para aqueles motivos e segredos há muito ocultos.

Se Bloodline fosse ambientado em algum hotel fora da cidade, em um local rural, clima ameno e boas conexões com a civilização próxima, ainda seria possível contar a história, mas as ferramentas de narrativa ficariam embotadas e o efeito seria pela metade tão rico.

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Para encontrar o seu tema – Stranger Things



Há duas perguntas que os não-escritores costumam fazer aos escritores.
  1. De onde você tira suas ideias?
  2. Seu livro é sobre o quê?
(1) varia de escritor para escritor, mas se você não puder responder (2) com algo sólido e sucinto, há uma chance de que seu romance precise ser reestruturado ou simplificado.

Após publicar muitos livros, chegamos à conclusão de que “um livro só pode ser sobre uma coisa”. Pode ser sobre muitas lutas individuais, mas todas devem orbitar um único tema subjacente.

A sua história vai melhorar se todos os personagens-chave quiserem versões diferentes da mesma coisa, ou se sua mudança ou desenvolvimento for influenciado por um tema unificador. Você não quer que os personagens pareçam cifras; enfeites de vitrine para a história. Você deseja que eles sejam parte integrante do funcionamento da história. A maneira de fazer isso é ser absolutamente claro sobre o seu tema. Você precisa ser capaz de responder a essa segunda pergunta com total confiança; idealmente, com o menor número possível de palavras.

Em Stranger Things, dos irmãos Duffer, eles reduziram seu tema a uma única palavra de quatro letras: perda. Joyce é uma mãe que perdeu seu filho, Will. Jim é um policial que perdeu sua filha para o câncer. Eleven é uma jovem que perdeu a infância. Mike, Dustin e Lucas perderam um amigo. Jonathan Byers perdeu seu irmão mais novo e seu pai.

O que StrangerThings, da Netflix, pode ensinar aos autores sobre 'tema'?

Todos os personagens estão indo na mesma direção e, portanto, tudo o que os escritores precisam fazer é examinar suas diferentes motivações enquanto os personagens começam a encontrar as coisas que perderam ou alcançar algum tipo de redenção relacionada. Se você puder definir sua história em torno de um tema central potente, então ela irá percorrer um longo caminho para tornar seus personagens críveis, sua história em várias camadas e – um grande bônus – isso por causa do foco claro, aquela sinopse temida será muito mais fácil de escrever.

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E aí? Gostou da ideia? Veja qual habilidade quer lapidar e bora maratonar uma série, mas não se esqueça de ter o olhar crítico e não perder o hábito da escrita, hein! Quando finalizar seu material, venha conversar com a gente.


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