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Escrita criativa: como melhorar o seu texto

19 de fevereiro de 2018

Escrita criativa: como melhorar o seu texto

Em 2016, foi lançada no Brasil uma graduação chamada Escrita Criativa e na última edição do prêmio Nobel de Literatura, em 2017, o vencedor foi o escritor nipo-britânico  Kazuo Ishiguro, pós-graduação em Escrita Criativa pela Universidade de East Anglia, na Inglaterra.  O número de pós-graduações em nosso país que recebem o nome de Escrita Criativa também tem crescido. Mas o que é Escrita Criativa, qual sua origem e, principalmente, como ela pode te ajudar a melhorar a sua escrita?
 
Sabe aquela ideia de que o escritor é um ser solitário que apenas de modo autodidata e com muito sacrifício consegue desenvolver o seu trabalho? Pois é, não é que isso não seja verdade, porém essa não é a única possibilidade.

A escrita criativa ou Criative Writing veio para mostrar que existem técnicas que podem ser aprendidas na hora de se escrever e que é possível desenvolver o próprio estilo de escrita. E essas práticas valem tanto para textos ficcionais, quanto para não-ficcionais, como biografias, reportagens, memórias e contos.

Foi a americana Brenda Ueland escritora, jornalista e ativista dos direitos da mulher com seu  livro ‘’If You Want to Write: a Book about Art’’ publicado em 1938, uma das  pioneiras em lançar a ideia de que qualquer pessoa pode escrever e tem algo original para contar. 

De lá para cá, muita coisa aconteceu no universo da Criative Writing e Brenda Ueland incentivou outras pessoas como o acadêmico Wallace Stegner (1909-1993),  fundador de um curso de escrita criativa na Universidade de Stanford, Califórnia, que ministrou por mais de 40 anos. De suas aulas saíram importantes escritores norte-americanos do século XX.

Agora que você já conhece um pouco sobre a história criativa e que ela ajudou gente reconhecida a melhorar seus escritos, vamos aprender algumas dicas que podem te ajudar a escrever com mais qualidade?

 

  1. Não é o que acontece, mas como acontece

Você já escutou um spoiler de um filme e mesmo sabendo o que iria acontecer se emocionou?  É porque no fundo não é o que acontece, mas como acontece, o que realmente importa. Escrever se trata de contar boas histórias.

Experimente resumir um livro que você gostou muito para um amigo, talvez você perceba que não acontecem coisas realmente extraordinárias na história, mas a forma como tudo é conduzido te prende e te emociona. Um exercício quando for escrever algo é tentar criar camadas de  sentidos e reflexões, isto é, existe um pano de fundo e sentimentos humanos profundos por trás da sua história.

 Exemplo:

Romeu e Julieta tomaram o veneno porque jamais poderiam estar juntos, já que suas famílias eram brigadas e nutriam uma rivalidade profunda.

A narrativa não é simplesmente a história de dois jovens que morreram. O que fez com que se perpetuasse ao longo dos séculos: é o amor proibido, o ódio e a vingança. Isso criou outras camadas que geram identificação entre leitor e personagens. Amor, ódio e vingança fazem também parte dos grande temas universais.
 

2. Faça textos de encomenda

Peça para que as pessoas sugiram temas para que escreva. Pode ser que as ideias sejam bobas ou que você não entenda nada sobre aquele assunto. É justamente esse o ponto: se desafie a encontrar a perspectiva mais criativa e original para desenvolver a ideia. Fuja dos lugares comuns.

Exemplo:

Escrever um texto sobre uma invasão alienígena

Porque ao invés de escrever uma história cheia de alienígenas verdes invadindo e destruindo o planeta, você não procura explorar a questão psicológica?

Se coloque no lugar das pessoas que poderiam passar por essa situação; como você se sentiria se de uma hora para outra soubesse que o planeta não vai ser mais o mesmo? Qual seria a sensação de perder a rotina e ver quem você ama correndo riscos?

Escrever é um exercício de empatia. Quanto mais você conseguir se colocar no lugar dos outros, menos artificial e clichê será sua história.


3. Improvise

 Escritores reconhecidos possuem seu próprio estilo de escrita. Uma espécie de assinatura oculta da linguagem, que muitas vezes é tão característica que o leitor nem precisaria ler o texto para saber de quem se trata.

Talvez, o escritor  brasileiro que mais se enquadre dentro dessa assinatura invisível seja Guimarões Rosa, com a criação de vários neologismos e de sua metalinguagem. Mas é provável que antes de chegar a um estilo maduro ele tenha precisado escrever e escrever muito.

A escrita é uma escada de degraus infinitos, escritores de maneira geral passam a vida toda a combinar palavras e tentar novos mecanismos, e isso não tem um fim porque quando se trata de escrita criativa as possibilidades nunca findam.

Improvise. Faça testes como em uma experiência maluca, junte palavras que não pareçam fazer sentido entre si. Leia diferentes autores e tente escrever de maneira parecida, para que você racionalize o processo de escrita deles e desenvolva as próprias ferramentas.

As coisas podem sair um pouco esquisitas no começo, porém só o fato de estar estruturando o próprio pensamento já vai ajudar e muito a amadurecer seus textos.

Exemplo:

“e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz’’

Nessa frase extraída do livro Sagarana, de Guimarães Rosa, o autor brinca com as palavras e cria uma sinestesia em que ao invés de remeter psiu como uma onomatopeia de som cria uma perspectiva visual, enriquecendo a narrativa.


4. Fundamente seu personagem

Sabe aquelas histórias que não parecem ter pé nem cabeça? Quando as coisas simplesmente não fazem sentido? Fuja disso.

Crie um pacto com seu leitor, isto é, faça com que ele esqueça momentaneamente a própria realidade e acredite no universo da sua história.

Conheça sua personagem. Se quiser faça o exercício de conversar com ela mentalmente . Descubra onde nasceu, o que pensa, os gostos, a idade, as motivações, posicionamentos políticos, lembranças e pormenores de aparência.

A atividade também vale para textos de pessoas reais, como reportagens extensas ou biografias: faça o máximo de perguntas para sua fonte, pergunte coisas não usuais (você pode receber informações preciosas), anote cores de roupa e detalhes dos ambientes onde esteve.

Apenas uma parte dessas informações será usada para que a história a ser contada não se torne chata e repleta de dados desnecessários. No entanto, você vai perceber que seu texto estará mais rico e criará um vínculo de verdade com o leitor.

Para mais dicas de escrita, confira nosso blog.


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